SÉRIE ENTREVISTAS

  Nº 1  DONA MARINA OLIVEIRA (CANIL MARILU - SP)

  Nº 2 ANGELIKA PURKHAUSER (CANIL VOM STALL BRASIL)

Nº ANDRÉ SARAMAGO (CANIL QUIZANGA - RJ) ao final da página.

       

     Esta é a primeira entrevista, de uma série, que a ABTB estará realizando com criadores e admiradores da raça Terrier Brasileiro, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, sejam eles residentes no Brasil ou não.

     Nossa escolha recaiu sobre a Sra. Marina Oliveira, proprietária do Canil Marilu, por seu pioneirismo e importância em relação à criação nacional do Terrier Brasileiro. Dona Marina, como é conhecida, e seu marido, o Sr. Luiz Gonzaga Oliveira, há muitos anos se dedicam à criação do Terrier Brasileiro, tendo alcançado notoriedade nacional e, também, internacional, por seus feitos. São exemplos de amor e dedicação à raça Terrier Brasileiro. Nos seus mais de 40 anos de criação, mais de 3.000 filhotes foram criados e distribuídos no Brasil, e também no exterior, a partir da cidade de São Paulo, onde vivem. Algo que começou de forma tão despretensiosa tornou-se a grande paixão de suas vidas.

     Nesses anos de criação tiveram como grande objetivo a disseminação da raça por meio de cães resistentes, saudáveis, garantindo assim a fama de raça robusta, conferida ao Terrier Brasileiro.

     Sempre se preocuparam em garantir a saúde do filhote, bem como oferecer informações suficientes aos seus proprietários: desde uma cópia do padrão (1° padrão da raça) até um guia sobre plantas tóxicas, para que tais espécies vegetais se mantivessem fora do alcance dos filhotes, assim, como todos os cuidados a serem observados, até o momento da entrega do filhote ao novo dono. Dona Marina possui um registro pessoal de todos os filhotes que vendeu, para quem vendeu com endereço, telefone, etc... Provavelmente, muitos desses cães já nem existem mais, mas ela ainda guarda esses registros.

     A presente entrevista foi realizada pelo associado da ABTB,  Lorenzo Pascale, na residência do casal, em junho de 2008, e é apresentada na forma de relato. Por vezes, há transcrições literais de algumas falas de Dona Marina. 


 

PERGUNTAS PARA CRIADOR: 

1 - Seu primeiro Terrier Brasileiro foi adquirido como animal de companhia, guarda ou outra função? Em que ano esse fato ocorreu?

Companhia. Seu nome era Dingo. O Ganharam de um amigo, em 1962 e, nem sabiam que se tratava de um “fox”. Descobriram ao receber uma carta da prefeitura depois de terem levado-o para vacinar no Ibirapuera que era um “fox paulistinha”. 

2 - Por que você resolveu tornar-se um criador de Terrier Brasileiro?

Depois do Dingo (o primeiro cachorro), ganharam uma fêmea da cunhada do Sr. Luiz (marido da dona Marina). Eles ficavam juntos. Cruzaram. Cuidaram dos filhotes, mas não conseguiam ficar com todos em casa. Um amigo do casal sugeriu um anúncio no jornal. Assim o fizeram. Anunciaram no jornal: Estadão. Venderam todos na mesma semana. O mesmo aconteceu com a segunda ninhada. Compraram um sítio, construíram um canil e assim tudo começou. Compraram outro macho, de outra linha de sangue, guardaram umas fêmeas e começaram a criar. 

3 - Qual a origem de seus cães?

Foram presentes de amigos, outros vindos de anúncios de jornal. Foram conhecendo aos poucos questões do padrão da raça, como mordedura, entre outros quesitos, que foram sendo ajustados com o tempo. 

4 - Teve alguém, no início de sua criação, a quem você recorria para aconselhar-se com mais freqüência? Alguém que você poderia dizer ser seu mentor em termos de criação?

Sempre foram sozinhos, apenas com a literatura em mãos. 

5 - Relativamente ao Terrier Brasileiro, ou a cinofilia em geral, cite um livro que você considere de leitura obrigatória.

Não referiu nenhuma específica. 

6 - Com que idade você faz a seleção de seus filhotes? Por quê?

Depois dos 3 meses, até os 5 meses. Nesse período se consegue ter uma boa idéia de como será o filhote, quando adulto. 

7 - Quais os pontos importantes, num cão adulto, que você considera de grande dificuldade de serem previstos, quando se trata de um filhote?

Orelha e dente. “Às vezes, até os cinco meses ele tinha a orelha certinha, aí você ia ver e ele levantava uma” (sic). 

8 - Quais os pontos que, na sua avaliação, podem ser considerados definitivos quando da avaliação de um filhote?

Até uma certa idade, o que dá para ter certeza são as cores e marcações, depois disso a estrutura. Orelhas e dentes buscam referências nos pais. 

9 - Qual o sistema de acasalamentos que você mais usa em seu canil: inbreeding, linebreeding, outcrossing?

Outcrossing. “Parentes nunca cruzavam, eram todos marcados para evitar a consangüinidade.” (sic)

Grifo do entrevistador:

Vale ressaltar que, apesar da dificuldade de acertar um padrão da raça de maneira mais fácil com a consangüinidade, Dona Marina optou pelo não cruzamento entre parentes, pensando sempre em fugir dos problemas da consangüinidade. 
 

10 - Qual a característica, em termos de estrutura de um Terrier Brasileiro, que você considera mais difícil de ser melhorada e fixada num plantel?

“Mais difícil que dente, foi a orelha” (sic). 

11 - O que você tem a dizer sobre dentes e mordeduras no Terrier Brasileiro, segundo sua experiência?

“No comecinho tive muito pouco problema com mordedura, hoje não mais” (sic). 

12 - Quais os cuidados básicos a serem dispensados a um filhote de Terrier Brasileiro?

“A gente deixava com a mãe, não mexia. A mãe sempre bem alimentada, até uns 25 dias. Depois eles começavam a mordiscar a comidinha da mãe, aí a gente entrava com a comidinha pra eles.” (sic). 

13 - Quais as doenças mais comuns no Terrier Brasileiro, segundo sua experiência?

“Naquela época dava muita Parvovirose. Tem um veterinário aqui perto, hoje na Alameda Campinas, continua cuidando dos nossos cães. Dava Cinomose. A gente lutava muito porque não havia vacina, naquela época.

Tem que isolar o cachorro, trazia pra São Paulo pra cuidar. O Dr. Salim cuidava, fazia transfusão de sangue, perdia muito cachorro. Agora é raríssimo um cachorro ficar doente, ele estando vacinado não tem perigo.”(sic)

Não teve muito problema de estrutura porque não tinham consangüinidade. 

14 - Quais as doenças raras, diagnosticadas em Terrier Brasileiro, que você tenha tido conhecimento?

Nenhuma 

15 - O que você tem a dizer sobre o tricolor de isabela e o fato de esta não ser uma cor reconhecida pelo padrão FCI?

Não faz diferença pois sempre criaram tricolores de preto. Como não fazia cruzamentos consangüíneos não nasciam filhotes de outras cores. 

16 - O que você tem a dizer sobre as novas legislações internacionais e nacionais que desaconselham, ou proíbem, a caudectomia?

Já tem ninhadas com cães que nascem sem rabo, mas irá continuar praticando o corte da cauda, pois acha que esteticamente não fica bom. 

17 - Quais as maiores mudanças que você vem notando na raça nos últimos anos?

Para ela, os cães passaram a assumir um padrão com o passar dos anos: “A linha Marilu tem se tornado mais uniforme, cães com a cara preta, sem o branco” (sic) . 

18 - Para um criador, quando um cão está sendo julgado numa exposição especializada, o que lhe parece mais importante de ser observado pelo árbitro? Em caso de dúvida do árbitro, o que deve ser valorizado para a tomada de decisão final?

Mesmo com todos esses anos de criação, nunca participou de uma exposição. Todos os cães que venceram em pista aqui ou no exterior foram levados pelos seus proprietários.Sobre essa questão Dona Marina diz: “Só criei por amor. Os donos é que levam para campeonatos, entre outros” (sic). 

19 - O que você pensa sobre falta de dentes em cães, defeitos de mordedura e qual a importância que você dá para este item em seus julgamentos?

Importantíssimo. Foi um dos problemas em que teve dificuldade até corrigir o problema, já que sempre achou importante manter cães saudáveis e dentro do padrão. 

20 - Falando de padreadores e matrizes, quantos cães você tem em seu canil?

“Hoje tenho poucos, mas cheguei a ter mais de 40 cães para cruzar.” (sic) 

21 - Qual é a média de filhotes que você tem ao ano?

“Desde 1981, quando comecei a registrar as ninhadas, emiti quase 3.000 pedigrees até hoje.” (sic)

Grifo do entrevistador:

Isso da uma média de 175 filhotes por ano. Lógico que hoje em dia esse número é bem menor, mas nas décadas de 80 e 90 esse número era bem maior. Lembrando que ela cria desde 1964. 

22 - Quando você está planejando um acasalamento, quais pontos devem ser valorizados para que se proceda a boa escolha de padreador e matriz? Há algum ponto que seja indispensável de ser observado?

Sempre busca acasalamentos de cães que representem o padrão. Se os padreadores e matrizes produzem filhotes saudáveis e dentro do padrão,

continuarão cruzando. É indispensável que não sejam parentes consangüíneos. 

23 - Entre os papéis representados pelo macho e pela fêmea numa criação, você faz diferença sobre a importância de um ou outro? Por que?

“Cheguei a ter mais de 40 cães para cruzar... Sempre 4 machos que revezavam com as fêmeas. As fêmeas cruzavam até os 9 anos.” (sic)

Preferia poucos machos, mas que fossem bons, que conseguissem passar as características buscadas, por ela, na cruza. 
 

24 - Em termos de estrutura, o que faria você não usar padreador ou matriz, seja macho ou fêmea, por melhor que ele fosse?

Problemas com orelhas e dentes 

25 - Cite, pelo menos, dois cães que mais lhe impressionaram na história do Terrier Brasileiro no Brasil? Por que?

“Difícil dizer. Eu nunca fui a exposições e não tinha contato com outros cães que não fossem os meus” (sic) 

26 - Como você avalia a criação do Terrier Brasileiro atual, no Brasil e no exterior?

Ela refiriu-se ao criador finlandês Marko Nurminen. Por intermédio dele sabe que existem criadores fora do Brasil, e que lá é proibido o corte de cauda. Mas, como disse, conhece muito pouco além da sua criação. 
 

27 - Que recomendação você costuma dar a alguém que pretenda tornar-se criador de Terrier Brasileiro?

“Se quiser começar com um casal, que seja de boa procedência, de boa estrutura e evitar sempre consanguinidade.” (sic) 
 

São Paulo, Junho de 2008

SÉRIE ENTREVISTAS

Nº 3 - ANDRÉ SARAMAGO (CANIL QUIZANGA - RJ)

PERGUNTAS PARA O CRIADOR: 

1 - Seu primeiro Terrier Brasileiro foi adquirido como animal de companhia, guarda ou outra função? Em que ano esse fato ocorreu? 

Quando era criança tive uma cadelinha tipo Terrier brasileiro que era eximia caçadora de ratos, após sua morte fiquei sem cães por um tempo. Depois de me formar em veterinária comecei um canil de Fila Brasileiro, no sítio dos meus pais, como lá tinha outras criações como galinhas, patos etc, começaram a aparecer ratos por causa da ração e os filas não são muito bons para caçar ratos, aí me veio a lembrança daquela cadelinha que tive na infância e que serveria como uma luva para o que estava querendo.

   Como tinha adquirido alguma experiência com a criaçao de filas, procurei anuncio no jornal sobre ninhadas de "fox paulistinha", encontrei uma cadela com 4 meses anunciada no jornal, que a pessoa não tinha nem registrado mas os pais eram do canil Taboão, fui ver a cadela era estava dentro dos padrões, dentição completa, uma bela fêmea, era meados de 1995, combinei com o dono do canil que compraria a cadela se ele me registrasse ela, ficou tudo acertado e daí comecei o canil, virou uma cachaça.
2 - Por que você resolveu tornar-se um criador de Terrier brasileiro?
Não era minha intenção ser criador de terrier, precisava de um cão que matasse os ratos, eu criava era Filas, mas ja que iria ter uma fêmea de terrier, que fosse de bom padrao e tivesse pedigree, quando cruzei, para ficar com mais um filhote, o restante dos filhotes foram vendidos rapidamente e me animei em começar a criar sistematicamente, eu gostei tambem por ser uma raça brasileira e que estava começando a aparecer mais na cinofilia.
3 - Qual a origem de seus cães?
Tenho um pouco de Taboão, de Terra de Vera Cruz, de Alaketus, até de RI.
4 - Teve alguém, no início de sua criação, a quem você recorria para aconselhar-se com mais freqüência? Alguém que você poderia dizer ser seu mentor em termos de criação?
Na época a única pessoa que criava aqui no Rio de Janeiro era a Flávia do Canil Alcaide, era na época a pessoa que mais recorri para ter mais informações, inclusive a primeira cruza da minha primeira cadela foi com o cão dela, Bethoven do Alcaide.
5 - Relativamente ao Terrier Brasileiro, ou a cinofilia em geral, cite um livro que você considere de leitura obrigatória.
Eu aconselho dois: Cinologia "O Estudo dos Cães" escrito por Dea Dorinha Martins Costa.
O outro é: O Fox Paulistinha escrito por Marina Vicari Lerario
6 - Com que idade você faz a seleção de seus filhotes? Por quê?
Normalmente eu começo a namorar os filhotes desde que nascem, primeiro seleciono por cores e marcações que me agradam, quadratura do corpo, se são braquiuros ou não, e principalmente por temperamento, não gosto de cães escandalosos, nem estressados, nem medrosos, procuro animais equilibrados e bem alegres.
7 - Quais os pontos importantes, num cão adulto, que você considera de grande dificuldade de serem previstos, quando se trata de um filhote?
Uma característica que considero importante e a dentição, pois a falta dentária na raça de um modo geral ainda é bem comum e impossível de se saber quando filhote se o filhote vai ter a dentição completa quando adulto, às vezes você tem um animal excelente, mas por falta de um dente voce o penaliza, pois essa falta vai ser penalizada numa exposição, mesmo que ele não vá. Essa característica se você usar este animal na reprodução ela passará, pode não ser na próxima, mas de repente vai aparecer nos netos dele, eu sempre procuro selecionar o filhote como se fosse para a exposição, mesmo que não vá, pois você sendo o mais exigente possível, maior vai ser seu ganho genético nas gerações futuras.
8 - Quais os pontos que, na sua avaliação, podem ser considerados definitivos quando da avaliação de um filhote?
Para mim o filhote tem que ser bem ativo, não ser medroso ou tímido, com uma boa colocação de orelhas, mordedura em tesoura, forte e bem quadrado.
9 - Qual o sistema de acasalamentos que você mais usa em seu canil: inbreeding, linebreeding, outcrossing?
Eu não gosto muito de inbreeding, acho que a longo prazo enfraquece a raça, propiciando o surgimento de problemas genéticos, uso mais o linebreeding e o outcrossing, mas mesmo no outcrossing, procuro animais, com características proximas.
10 - Qual a característica, em termos de estrutura de um Terrier Brasileiro, que você considera mais difícil de ser melhorada e fixada num plantel?
Eu acho mais difícil colocar os cães com um corpo quadrado, é muito mais comum encontrar animais com corpo retangular e pernaltas.
 11 - O que você tem a dizer sobre dentes e mordeduras no Terrier Brasileiro, segundo sua experiência?
A mordedura não varia muito de filhote para adulto, mas a dentiçao é cruel, pois animais de pais, avós e até bisavós com dentição completa, às vezes nascem animais que quando crescem, ficam com falta dentária.
12 - Quais os cuidados básicos a serem dispensados a um filhote de Terrier brasileiro?
Os filhotes em geral são muito rústicos, e geralmente as mães são boas parideiras e dedicadas com os filhotes, eles devem ser bem alimentados, vermifugados e vacinados nos períodos certos, não devemos esquecer da higiene nos canis, isso é fundamental, além de fornecer água de qualidade.
13 - Quais as doenças mais comuns no Terrier brasileiro, segundo sua experiência?
O que tenho percebido em filhotes principalmente são: lesões fúngicas (micoses) na pele, principalmente nas épocas mais úmidas.
Outra doença que às vezes aparece é uma doença degenerativa distrófica músculo esquelética de fundo congênito que normalmente leva o morte do filhote, tratamento não há, portanto deve-se evitar repetir esta cruza.
14 - Quais as doenças raras, diagnosticadas em Terrier Brasileiro, que você tenha tido conhecimento?
Já diagnostiquei Terrier brasileiro com diabete, glaucoma, luxação de patela.
15 - O que você tem a dizer sobre o tricolor de isabela e o fato de esta não ser uma cor reconhecida pelo padrão FCI?
Eu não sou contra, para mim cachorro bonito não tem cor, acho que se vão proibir o tricolor de isabela teriam que proibir tambem o tricolor de azul, pois ambos carregam genes de diluição, não vejo fundamento nesta proibição, a FCI teria que se preocupar com coisas mais importantes do que as cores.
16 - O que você tem a dizer sobre as novas legislações internacionais e nacionais que desaconselham, ou proíbem, a caudectomia?
Eu acho que fica a critério de cada um, não deveria ser proibido, eu particularmente acho que o animal (sem cauda) fica mais bonito, mas como na raça existe genes para caudas menores estou procurando selecionar cães com essa característica, para agradar os contra e os a favor, por enquanto continuo cortando.
17 - Quais as maiores mudanças que você vem notando na raça nos últimos anos?
Acho que o plantel está mais uniforme, os cães têm ficado mais fortes e mais bem acabados, mas ainda tem muito a ser feito.
18 - Para um criador, quando um cão está sendo julgado numa exposição especializada, o que lhe parece mais importante de ser observado pelo árbitro? Em caso de dúvida do árbitro, o que deve ser valorizado para a tomada de decisão final?
Andamento (movimentação), temperamento, cabeça e quadratura do corpo, eu acho que a cabeça e a quadratura do corpo são principais.
19 - O que você pensa sobre falta de dentes em cães, defeitos de mordedura e qual a importância que você dá para este item em seus julgamentos?
Eu dou muita importância para esta característica, pois você só avalia a falta de dente após 6 meses, o animal pode ser maravilhoso, mas para mim não servira mais para exposição, já a mordedura se não for tesoura eu descarto o animal da reprodução.
20 - Falando de padreadores e matrizes, quantos cães você tem em seu canil?
Tenho 30 matrizes e 5 padreadores.
21 - Qual é a média de filhotes que você tem ao ano?
Tenho em média 100  a 150 filhotes por ano.
22 - Quando você está planejando um acasalamento, quais pontos devem ser valorizados para que se proceda a boa escolha de padreador e matriz? Há algum ponto que seja indispensável de ser observado?
Me preocupo com dentição, as possíveis cores que vão nascer nos filhotes, o tamanho da matriz e do padreador, e qual a qualidade dos filhotes que nasceram da mesma cruza em ninhadas anteriores, e quanto a combinaçao dos pais melhorou ou piorou na qualidade dos filhotes, para que se possa fazer ou não a cobertura.
23 - Entre os papéis representados pelo macho e pela fêmea numa criação, você faz diferença sobre a importância de um ou outro? Por que?
Para mim a fêmea tem que ser muito boa, mas o macho tem que ser excelente, sou muito mais exigente na escolha do macho do que da fêmea, pois ele vai passar os seus genes muito mais rapidamente para o canil do que a fêmea, e se ele tiver alguma característica indesejável ou medíocre, voce andará para trás na criação.
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     SÉRIE ENTREVISTAS

  Nº 2 ANGELIKA PURKHAUSER (CANIL VOM STALL BRASIL)

       

  Segue a entrevista com a Criadora Angelika Purkhauser, do Canil Vom Stall Brasil da Áustria que rápidamente respondeu a nossa solicitação. Temos que agradecer ao médico veterinário alemão, Dr. Hans-Heinrich Willenberg, que recentemente veio estabelecer residência no Brasil e sua esposa Dr. Gudrun Liesenberg, brasileira e também veterinária, que auxiliaram na tradução.

 Somos da Associação Brasileira do Terrier Brasileiro e estamos fazendo uma série de entrevistas com criadores nacionais e do exterior, e esperamos que aceitem responder ao nosso chamado, pois é de nosso interesse estreitarmos laços de criação com nossos colegas de outros países. Seria muito interessante  que enviem fotos com vossos cães, para que a publiquemos juntamente com as  Respostas, em nosso site www.terrierbrasil.com.br
Saudações


1. Seu primeiro Terrier Brasileiro foi adquirido como animal de companhia, guarda ou outra função ? Em que ano  esse fato ocorreu ?          
Em 1996, para companhia e guarda.
2. Por que voce resolveu tornar-se um criador de Terrier Brasileiro ?
Eu tinha anteriormente Jack Russel Terrier.
3. Qual a origem de seus cães ?
Marina Vicari Lerário.
4. Teve alguem, no inicio de sua criação, a quem voce recorria para aconselhar-se
com mais freqüência ? Alguem que voce poderia dizer ser seu mentor em termos de criação ?
Marina Vicari Lerário.
5. Relativamente ao Terrier Brasileiro, ou a cinofilia em geral, cite um livro que
voce considere de leitura obrigatória.
Livro da Marina sobre o Terrier Brasileiro.
6. Com que idade voce faz a seleção de seus filhotes ? Por que ?
Cerca de 10 semanas.
7. Quais os pontos importantes, num cão adulto, que voce considera de grande
dificuldade de serem previstos, quando se trata de um filhote ? Quais os pontos que, na sua avaliação, podem ser considerados definitivos quando da avaliação de um filhote ?
Prever o temperamento no filhote e de definitivo é a marcação das cores.
8. Qual o sistema de acasalamentos que voce mais usa em seu canil : inbreeding,
linebreeding, outcrossing ?
Linebreeding.
9. Qual a característica, em termos de estrutura de um Terrier Brasileiro, que voce considera mais difícil de ser melhorada e fixada num plantel ?
Manter a altura dentro do padrão.
10. O que voce tem a dizer sobre dentes e mordeduras no Terrier Brasileiro, segundo sua experiencia ?
Bom.
11. Quais os cuidados básicos a serem dispensados a um filhote de Terrier Brasileiro ?
Nenhum cuidado especial.
12. Quais as doenças mais comuns no Terrier, segundo sua experiencia ?
Desconheço.
13. Quais as doenças raras, diagnosticadas em Terrier Brasileiro, que voce tenha
tido conhecimento ?
Nenhuma.
14. O que voce tem a dizer sobre o tricolor de isabela e o fato de esta não ser uma cor reconhecida pelo padrão FCI ?
Cor Isabela e Azul não devem ser usados na criação, eu tenho péssima
experiêcia nestes cruzamentos.
15. O que voce tem a dizer sobre as novas legislações internacionais e nacinais que desaconselham, ou proíbem, a caudectomia ?
Não concordo com a caudectmia, as criações européias sofrem com esta legislação.
16. Quais as maiores mudanças que voce vem notando na raça nos últimos anos ?
Sem resposta.
17. Para um criador, quando um cão está sendo julgado numa exposição especializada, o que lhe parece mais importante de ser observado pelo árbitro ? Em caso de dúvida do árbitro, o que deve ser valorizado para a tomada de decisão final ?
O árbitro deve seguir rigorosamente o padrão e a altura, se 40 cm é a altura
máxima, aí um cão não pode apresentar 46 ou 48 cm de altura.
18. O que você pensa sobre falta de dentes em cães, defeitos de mordedura e qual a importâcia que voce dá para este item em seus julgamentos ?
Mordedura deve ser em tesoura, mas pode faltar 2 P.
19. Falando de padreadores e matrizes, quantos cães voce tem em seu canil ?
4 padreadores e 6 matrizes.
20. Qual a média de filhotes que voce tem ao ano ?
Máximo de 1 a 2 ninhadas.
21. Quando voce está planejando um acasalamento, quais pontos devem ser valorizados para que se proceda a boa escolha de padreador e matriz ? Há algum ponto que seja indispensável de ser observado ?
Temperamento medroso.
22. Entre os papéis representados pelo macho e pela femea numa criação, voce faz diferença sobre a importancia de um ou outro ? Por quê ?
Sem resposta.
23. Em termos de estrutura, o que faria voce não usar padreador ou matriz, seja
macho ou femea, por melhor que ele fosse ?
Muito grande e com marcação incorreta das cores.
24. Cite, pelo menos, dois cães que mais lhe impressionaram na história do Terrier
Brasileiro no Brasil ? Por quê ?
Pingüim do Taboão e Ulele do Taboão.
25. Como voce avalia a criação do Terrier Brasileiro atual, no Brasil e no exterior ?
Sem resposta.
26. Quais os defeitos mais comuns na criação nacional e que devem ser evitados em termos de estrutura e movimentação de cães ?
Muitas vezes, acima da altura.
27. O que deve melhorar na criação nacional ? O que pode ser feito ?
Sem resposta.
28. Que recomendação voce costuma dar a alguém que pretenda tornar-se criador de Terrier Brasileiro ?
Sem resposta.

Junho de 2008

SÉRIE ENTREVISTAS
Nº 3 - ANDRÉ SARAMAGO (CANIL QUIZANGA - RJ)
PERGUNTAS PARA O CRIADOR: 
1 - Seu primeiro Terrier Brasileiro foi adquirido como animal de companhia, guarda ou outra função? Em que ano esse fato ocorreu? 
Quando era criança tive uma cadelinha tipo Terrier brasileiro que era eximia caçadora de ratos, após sua morte fiquei sem cães por um tempo. Depois de me formar em veterinária comecei um canil de Fila Brasileiro, no sítio dos meus pais, como lá tinha outras criações como galinhas, patos etc, começaram a aparecer ratos por causa da ração e os filas não são muito bons para caçar ratos, aí me veio à lembrança daquela cadelinha que tive na infância e que serviria como uma luva para o que estava querendo.
   Como tinha adquirido alguma experiência com a criação de filas, procurei anuncio no jornal sobre ninhadas de "fox paulistinha", encontrei uma cadela com 4 meses anunciada no jornal, que a pessoa não tinha nem registrada mas os pais eram do canil Taboão, fui ver a cadela era estava dentro dos padrões, dentição completa, uma bela fêmea, era meados de 1995, combinei com o dono do canil que compraria a cadela se ele me registrasse ela, ficou tudo acertado e daí comecei o canil, virou uma cachaça.
 
2 - Por que você resolveu tornar-se um criador de Terrier brasileiro?
Não era minha intenção ser criador de terrier, precisava de um cão que matasse os ratos, eu criava era Filas, mas já que iria ter uma fêmea de terrier, que fosse de bom padrão e tivesse pedigree, quando cruzei, para ficar com mais um filhote, o restante dos filhotes foram vendidos rapidamente e me animei em começar a criar sistematicamente, eu gostei também por ser uma raça brasileira e que estava começando a aparecer mais na cinofilia.
 
3 - Qual a origem de seus cães?
Tenho um pouco de Taboão, de Terra de Vera Cruz, de Alaketus, até de RI.
 
4 - Teve alguém, no início de sua criação, a quem você recorria para aconselhar-se com mais freqüência? Alguém que você poderia dizer ser seu mentor em termos de criação?
Na época a única pessoa que criava aqui no Rio de Janeiro era a Flávia do Canil Alcaide, era na época a pessoa que mais recorri para ter mais informações, inclusive a primeira cruza da minha primeira cadela foi com o cão dela, Beethoven do Alcaide.
 
5 - Relativamente ao Terrier Brasileiro, ou a cinofilia em geral, cite um livro que você considere de leitura obrigatória.
Eu aconselho dois: Cinologia "O Estudo dos Cães" escrito por Dea Dorinha Martins Costa.
O outro é: O Fox Paulistinha escrito por Marina Vicari Lerario

6 - Com que idade você faz a seleção de seus filhotes? Por quê?

Normalmente eu começo a namorar os filhotes desde que nascem, primeiro seleciono por cores e marcações que me agradam, quadratura do corpo, se são braquiúros ou não, e principalmente por temperamento, não gosto de cães escandalosos, nem estressados, nem medrosos, procuro animais equilibrados e bem alegres.

7 - Quais os pontos importantes, num cão adulto, que você considera de grande dificuldade de serem previstos, quando se trata de um filhote?

Uma característica que considero importante e a dentição, pois a falta dentária na raça de um modo geral ainda é bem comum e impossível de se saber quando filhote se o filhote vai ter a dentição completa quando adulto, às vezes você tem um animal excelente, mas por falta de um dente você o penaliza, pois essa falta vai ser penalizada numa exposição, mesmo que ele não vá. Essa característica se você usar este animal na reprodução ela passará, pode não ser na próxima, mas de repente vai aparecer nos netos dele, eu sempre procuro selecionar o filhote como se fosse para a exposição, mesmo que não vá, pois você sendo o mais exigente possível, maior vai ser seu ganho genético nas gerações futuras.

8 - Quais os pontos que, na sua avaliação, podem ser considerados definitivos quando da avaliação de um filhote?

Para mim o filhote tem que ser bem ativo, não ser medroso ou tímido, com uma boa colocação de orelhas, mordedura em tesoura, forte e bem quadrado.

9 - Qual o sistema de acasalamentos que você mais usa em seu canil: inbreeding, linebreeding, outcrossing?

Eu não gosto muito de inbreeding, acho que a longo prazo enfraquece a raça, propiciando o surgimento de problemas genéticos, uso mais o linebreeding e o outcrossing, mas mesmo no outcrossing, procuro animais, com características próximas.

10 - Qual a característica, em termos de estrutura de um Terrier Brasileiro, que você considera mais difícil de ser melhorada e fixada num plantel?

Eu acho mais difícil colocar os cães com um corpo quadrado, é muito mais comum encontrar animais com corpo retangular e pernaltas.

 11 - O que você tem a dizer sobre dentes e mordeduras no Terrier Brasileiro, segundo sua experiência?

A mordedura não varia muito de filhote para adulto, mas a dentição é cruel, pois animais de pais, avós e até bisavós com dentição completa, às vezes nascem animais que quando crescem, ficam com falta dentária.

12 - Quais os cuidados básicos a serem dispensados a um filhote de Terrier brasileiro?

Os filhotes em geral são muito rústicos, e geralmente as mães são boas parideiras e dedicadas com os filhotes, eles devem ser bem alimentados, vermifugados e vacinados nos períodos certos, não devemos esquecer da higiene nos canis, isso é fundamental, além de fornecer água de qualidade.

13 - Quais as doenças mais comuns no Terrier brasileiro, segundo sua experiência?

O que tenho percebido em filhotes principalmente são: lesões fúngicas (micoses) na pele, principalmente nas épocas mais úmidas.
Outra doença que às vezes aparece é uma doença degenerativa distrófica músculo esquelética de fundo congênito que normalmente leva a morte do filhote, tratamento não há, portanto deve-se evitar repetir esta cruza.

14 - Quais as doenças raras, diagnosticadas em Terrier Brasileiro, que você tenha tido conhecimento?

Já diagnostiquei Terrier brasileiro com diabete, glaucoma, luxação de patela.

15 - O que você tem a dizer sobre o tricolor de isabela e o fato de esta não ser uma cor reconhecida pelo padrão FCI?

Eu não sou contra, para mim cachorro bonito não tem cor, acho que se vão proibir o tricolor de isabela teriam que proibir também o tricolor de azul, pois ambos carregam genes de diluição, não vejo fundamento nesta proibição, a FCI teria que se preocupar com coisas mais importantes do que as cores.

16 - O que você tem a dizer sobre as novas legislações internacionais e nacionais que desaconselham, ou proíbem, a caudectomia?

Eu acho que fica a critério de cada um, não deveria ser proibido, eu particularmente acho que o animal (sem cauda) fica mais bonito, mas como na raça existem genes para caudas menores estou procurando selecionar cães com essa característica, para agradar os contra e os a favor, por enquanto continuo cortando.
17 - Quais as maiores mudanças que você vem notando na raça nos últimos anos?
Acho que o plantel está mais uniforme, os cães têm ficado mais fortes e mais bem acabados, mas ainda tem muito a ser feito.

18 - Para um criador, quando um cão está sendo julgado numa exposição especializada, o que lhe parece mais importante de ser observado pelo árbitro? Em caso de dúvida do árbitro, o que deve ser valorizado para a tomada de decisão final?

Andamento (movimentação), temperamento, cabeça e quadratura do corpo, eu acho que a cabeça e a quadratura do corpo são principais.

19 - O que você pensa sobre falta de dentes em cães, defeitos de mordedura e qual a importância que você dá para este item em seus julgamentos?

Eu dou muita importância para esta característica, pois você só avalia a falta de dente após 6 meses, o animal pode ser maravilhoso, mas para mim não servira mais para exposição, já a mordedura se não for tesoura eu descarto o animal da reprodução.

20 - Falando de padreadores e matrizes, quantos cães você tem em seu canil?

Tenho 30 matrizes e 5 padreadores.

21 - Qual é a média de filhotes que você tem ao ano?

Tenho em média 100  a 150 filhotes por ano.

22 - Quando você está planejando um acasalamento, quais pontos devem ser valorizados para que se proceda à boa escolha de padreador e matriz? Há algum ponto que seja indispensável de ser observado?

Preocupo-me com dentição, as possíveis cores que vão nascer nos filhotes, o tamanho da matriz e do padreador, e qual a qualidade dos filhotes que nasceram da mesma cruza em ninhadas anteriores, e quanto à combinação dos pais melhorou ou piorou na qualidade dos filhotes, para que se possa fazer ou não a cobertura.

23 - Entre os papéis representados pelo macho e pela fêmea numa criação, você faz diferença sobre a importância de um ou outro? Por quê?

Para mim a fêmea tem que ser muito boa, mas o macho tem que ser excelente, sou muito mais exigente na escolha do macho do que da fêmea, pois ele vai passar os seus genes muito mais rapidamente para o canil do que a fêmea, e se ele tiver alguma característica indesejável ou medíocre, você andará para trás na criação.
24 - Em termos de estrutura, o que faria você não usar padreador ou matriz, seja macho ou fêmea, por melhor que ele fosse?
Eu só não usaria se fosse grande demais, não sou contra cães com muita estrutura, ate prefiro, do que os mais frágeis, só não cruzaria cães com tipos muito parecidos, pois se não estaria fazendo animais hipertipos ou hipotipos.
25 - Cite, pelo menos, dois cães que mais lhe impressionaram na história do Terrier Brasileiro no Brasil? Por que?
  Um é o Pinguim do Taboao, devido a ele a raça saiu do anonimato, as pessoas começaram a ver         o potencial da raça.
 O outro e o Bethoven do Alcaide, era um cão pequeno, mas com umas linhas muito bonitas e dava cães muito paracidos com ele, bem quadrados e harmônicos.
 26 - Como você avalia a criação do Terrier Brasileiro atual, no Brasil e no exterior?
Acho que a criação esta evoluindo, os criadores estão procurando fazer um trabalho serio, meu medo e que a raça se popularize demais, isso não e ruim, mas que com isso caia nas mãos de "cachorreiros", pessoas que fazem cruzamentos sem nenhum critério, visando apenas vender filhotes, como aconteceu por exemplo com o poodle.
27 - Que recomendação você costuma dar a alguém que pretenda tornar-se criador de Terrier Brasileiro?
 Procure conhecer o maior numero possível de canis, converse com criadores, vá a exposições, tente tirar suas próprias conclusões, ninguém e dono da verdade, nem sempre o melhor cão e o que esta ganhando exposições, exposição e para 'inglês'  ver, às vezes o que ganha exposição, e a exceção do tipo do canil que ele veio e não a regra, logo ele tendera a produzir filhos não do tipo dele e sim do canil que ele nasceu.
28 - Algo que gostaria de dizer , que não foi perguntado?
Criação de cães e um mundo maravilhoso, a genética da combinação e um desafio diário, e o resultado às vezes surpreendente, para quem gosta é uma cachaça, aventure-se e boa sorte.

Em outubro de 2009.
 
 

 

 

 

 

 

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