|
|
SÉRIE ENTREVISTAS
Nº 1 DONA MARINA OLIVEIRA (CANIL MARILU) Nº 2 ANGELIKA PURKHAUSER (CANIL VOM STALL BRASIL) - ao final da página. Esta é a primeira entrevista, de uma série, que a ABTB estará realizando com criadores e admiradores da raça Terrier Brasileiro, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, sejam eles residentes no Brasil ou não. Nossa escolha recaiu sobre a Sra. Marina Oliveira, proprietária do Canil Marilu, por seu pioneirismo e importância em relação à criação nacional do Terrier Brasileiro. Dona Marina, como é conhecida, e seu marido, o Sr. Luiz Gonzaga Oliveira, há muitos anos se dedicam à criação do Terrier Brasileiro, tendo alcançado notoriedade nacional e, também, internacional, por seus feitos. São exemplos de amor e dedicação à raça Terrier Brasileiro. Nos seus mais de 40 anos de criação, mais de 3.000 filhotes foram criados e distribuídos no Brasil, e também no exterior, a partir da cidade de São Paulo, onde vivem. Algo que começou de forma tão despretensiosa tornou-se a grande paixão de suas vidas. Nesses anos de criação tiveram como grande objetivo a disseminação da raça por meio de cães resistentes, saudáveis, garantindo assim a fama de raça robusta, conferida ao Terrier Brasileiro. Sempre se preocuparam em garantir a saúde do filhote, bem como oferecer informações suficientes aos seus proprietários: desde uma cópia do padrão (1° padrão da raça) até um guia sobre plantas tóxicas, para que tais espécies vegetais se mantivessem fora do alcance dos filhotes, assim, como todos os cuidados a serem observados, até o momento da entrega do filhote ao novo dono. Dona Marina possui um registro pessoal de todos os filhotes que vendeu, para quem vendeu com endereço, telefone, etc... Provavelmente, muitos desses cães já nem existem mais, mas ela ainda guarda esses registros. A presente entrevista foi realizada pelo associado da ABTB, Lorenzo Pascale, na residência do casal, em junho de 2008, e é apresentada na forma de relato. Por vezes, há transcrições literais de algumas falas de Dona Marina.
PERGUNTAS PARA CRIADOR: 1 - Seu primeiro Terrier Brasileiro foi adquirido como animal de companhia, guarda ou outra função? Em que ano esse fato ocorreu? Companhia. Seu nome era Dingo. O Ganharam de um amigo, em 1962 e, nem sabiam que se tratava de um “fox”. Descobriram ao receber uma carta da prefeitura depois de terem levado-o para vacinar no Ibirapuera que era um “fox paulistinha”. 2 - Por que você resolveu tornar-se um criador de Terrier Brasileiro? Depois do Dingo (o primeiro cachorro), ganharam uma fêmea da cunhada do Sr. Luiz (marido da dona Marina). Eles ficavam juntos. Cruzaram. Cuidaram dos filhotes, mas não conseguiam ficar com todos em casa. Um amigo do casal sugeriu um anúncio no jornal. Assim o fizeram. Anunciaram no jornal: Estadão. Venderam todos na mesma semana. O mesmo aconteceu com a segunda ninhada. Compraram um sítio, construíram um canil e assim tudo começou. Compraram outro macho, de outra linha de sangue, guardaram umas fêmeas e começaram a criar. 3 - Qual a origem de seus cães? Foram presentes de amigos, outros vindos de anúncios de jornal. Foram conhecendo aos poucos questões do padrão da raça, como mordedura, entre outros quesitos, que foram sendo ajustados com o tempo. 4 - Teve alguém, no início de sua criação, a quem você recorria para aconselhar-se com mais freqüência? Alguém que você poderia dizer ser seu mentor em termos de criação? Sempre foram sozinhos, apenas com a literatura em mãos. 5 - Relativamente ao Terrier Brasileiro, ou a cinofilia em geral, cite um livro que você considere de leitura obrigatória. Não referiu nenhuma específica. 6 - Com que idade você faz a seleção de seus filhotes? Por quê? Depois dos 3 meses, até os 5 meses. Nesse período se consegue ter uma boa idéia de como será o filhote, quando adulto. 7 - Quais os pontos importantes, num cão adulto, que você considera de grande dificuldade de serem previstos, quando se trata de um filhote? Orelha e dente. “Às vezes, até os cinco meses ele tinha a orelha certinha, aí você ia ver e ele levantava uma” (sic). 8 - Quais os pontos que, na sua avaliação, podem ser considerados definitivos quando da avaliação de um filhote? Até uma certa idade, o que dá para ter certeza são as cores e marcações, depois disso a estrutura. Orelhas e dentes buscam referências nos pais. 9 - Qual o sistema de acasalamentos que você mais usa em seu canil: inbreeding, linebreeding, outcrossing? Outcrossing. “Parentes nunca cruzavam, eram todos marcados para evitar a consangüinidade.” (sic) Grifo do entrevistador: Vale ressaltar que, apesar da dificuldade de acertar um padrão da raça de maneira mais fácil com a consangüinidade, Dona Marina optou pelo não cruzamento entre parentes, pensando sempre em fugir dos problemas da consangüinidade. 10 - Qual a característica, em termos de estrutura de um Terrier Brasileiro, que você considera mais difícil de ser melhorada e fixada num plantel? “Mais difícil que dente, foi a orelha” (sic). 11 - O que você tem a dizer sobre dentes e mordeduras no Terrier Brasileiro, segundo sua experiência? “No comecinho tive muito pouco problema com mordedura, hoje não mais” (sic). 12 - Quais os cuidados básicos a serem dispensados a um filhote de Terrier Brasileiro? “A gente deixava com a mãe, não mexia. A mãe sempre bem alimentada, até uns 25 dias. Depois eles começavam a mordiscar a comidinha da mãe, aí a gente entrava com a comidinha pra eles.” (sic). 13 - Quais as doenças mais comuns no Terrier Brasileiro, segundo sua experiência? “Naquela época dava muita Parvovirose. Tem um veterinário aqui perto, hoje na Alameda Campinas, continua cuidando dos nossos cães. Dava Cinomose. A gente lutava muito porque não havia vacina, naquela época. Tem que isolar o cachorro, trazia pra São Paulo pra cuidar. O Dr. Salim cuidava, fazia transfusão de sangue, perdia muito cachorro. Agora é raríssimo um cachorro ficar doente, ele estando vacinado não tem perigo.”(sic) Não teve muito problema de estrutura porque não tinham consangüinidade. 14 - Quais as doenças raras, diagnosticadas em Terrier Brasileiro, que você tenha tido conhecimento? Nenhuma 15 - O que você tem a dizer sobre o tricolor de isabela e o fato de esta não ser uma cor reconhecida pelo padrão FCI? Não faz diferença pois sempre criaram tricolores de preto. Como não fazia cruzamentos consangüíneos não nasciam filhotes de outras cores. 16 - O que você tem a dizer sobre as novas legislações internacionais e nacionais que desaconselham, ou proíbem, a caudectomia? Já tem ninhadas com cães que nascem sem rabo, mas irá continuar praticando o corte da cauda, pois acha que esteticamente não fica bom. 17 - Quais as maiores mudanças que você vem notando na raça nos últimos anos? Para ela, os cães passaram a assumir um padrão com o passar dos anos: “A linha Marilu tem se tornado mais uniforme, cães com a cara preta, sem o branco” (sic) . 18 - Para um criador, quando um cão está sendo julgado numa exposição especializada, o que lhe parece mais importante de ser observado pelo árbitro? Em caso de dúvida do árbitro, o que deve ser valorizado para a tomada de decisão final? Mesmo com todos esses anos de criação, nunca participou de uma exposição. Todos os cães que venceram em pista aqui ou no exterior foram levados pelos seus proprietários.Sobre essa questão Dona Marina diz: “Só criei por amor. Os donos é que levam para campeonatos, entre outros” (sic). 19 - O que você pensa sobre falta de dentes em cães, defeitos de mordedura e qual a importância que você dá para este item em seus julgamentos? Importantíssimo. Foi um dos problemas em que teve dificuldade até corrigir o problema, já que sempre achou importante manter cães saudáveis e dentro do padrão. 20 - Falando de padreadores e matrizes, quantos cães você tem em seu canil? “Hoje tenho poucos, mas cheguei a ter mais de 40 cães para cruzar.” (sic) 21 - Qual é a média de filhotes que você tem ao ano? “Desde 1981, quando comecei a registrar as ninhadas, emiti quase 3.000 pedigrees até hoje.” (sic) Grifo do entrevistador: Isso da uma média de 175 filhotes por ano. Lógico que hoje em dia esse número é bem menor, mas nas décadas de 80 e 90 esse número era bem maior. Lembrando que ela cria desde 1964. 22 - Quando você está planejando um acasalamento, quais pontos devem ser valorizados para que se proceda a boa escolha de padreador e matriz? Há algum ponto que seja indispensável de ser observado? Sempre busca acasalamentos de cães que representem o padrão. Se os padreadores e matrizes produzem filhotes saudáveis e dentro do padrão, continuarão cruzando. É indispensável que não sejam parentes consangüíneos. 23 - Entre os papéis representados pelo macho e pela fêmea numa criação, você faz diferença sobre a importância de um ou outro? Por que? “Cheguei a ter mais de 40 cães para cruzar... Sempre 4 machos que revezavam com as fêmeas. As fêmeas cruzavam até os 9 anos.” (sic) Preferia poucos machos, mas que fossem bons, que conseguissem passar as características buscadas, por ela, na cruza. 24 - Em termos de estrutura, o que faria você não usar padreador ou matriz, seja macho ou fêmea, por melhor que ele fosse? Problemas com orelhas e dentes 25 - Cite, pelo menos, dois cães que mais lhe impressionaram na história do Terrier Brasileiro no Brasil? Por que? “Difícil dizer. Eu nunca fui a exposições e não tinha contato com outros cães que não fossem os meus” (sic) 26 - Como você avalia a criação do Terrier Brasileiro atual, no Brasil e no exterior? Ela refiriu-se ao criador finlandês Marko Nurminen. Por intermédio dele sabe que existem criadores fora do Brasil, e que lá é proibido o corte de cauda. Mas, como disse, conhece muito pouco além da sua criação. “Se quiser começar com um casal, que seja de boa procedência, de boa estrutura e evitar sempre consangüinidade.” (sic) São Paulo, Junho de 2008
SÉRIE ENTREVISTAS Nº 2 ANGELIKA PURKHAUSER (CANIL VOM STALL BRASIL) Segue a entrevista com a Criadora Angelika Purkhauser, do Canil Vom Stall Brasil da Áustria que rápidamente respondeu a nossa solicitação. Temos que agradecer ao médico veterinário alemão, Dr. Hans-Heinrich Willenberg, que recentemente veio estabelecer residência no Brasil e sua esposa Dr. Gudrun Liesenberg, brasileira e também veterinária, que auxiliaram na tradução.
|