O Terrier brasileiro
A origem do Terrier brasileiro permanece bastante obscura. O Padrão Oficial da raça diz que jovens brasileiros que iam à  França ou Inglaterra a fim de realizar estudos traziam, quando do retorno ao Brasil, cães de tipo terrier. Mais especificamente, algumas posições chegavam mesmo a citar o Parson Russel Terrier. Assim, tal teoria supôs que esses cães, acasalados com autóctones, teriam dado origem ao Terrier Brasileiro.
Há quem sustente que a raça teve inÃcio no Estado de São Paulo, ganhando pouco a pouco o restante do paÃs. Por outro lado, novas conjecturas e avaliações históricas nos levam a crer que realmente cães de tipo terrier teriam chegado no paÃs com os navios do velho mundo, principalmente os ingleses. Tais cães, em função de sua qualidade de ratoneiros, teriam sido tripulações fixa daqueles navios. Havia que combater os ratos, e a Europa ainda tinha seus receios em relação à  Peste Negra, com seus milhões de vÃtimas. Deste modo, esses terriers ganharam espaço e semearam seu sangue por onde atracavam os navios. Hoje se admite que fenômeno semelhante tivesse ocorrido em outros continentes. Cães assemelhados com o Terrier Brasileiro foram registrados em muitos paÃses e, em alguns deles, persistiram.
Há cães assemelhados na Espanha, Portugal, na região da Escandinávia, no Japão, em muitos paÃses da América Latina e Caribe e também nos EUA. Entretanto, sem sombra de dúvidas, foi o Brasil que acolheu os descendentes dos primeiros ratoneiros trazidos pelos navios europeus. Deu-lhes abrigo e aprimorou suas qualidades raciais. Em nosso paÃs a raça ganhou diferentes nomes, dependendo da região onde se encontravam em maior expressão. Em algumas regiões de Minas Gerais a raça é conhecida, até hoje, como “Foquinho”; em São Paulo e nos Estados próximos passou a ser conhecida como “Fox Paulistinha”; no Rio Grande do Sul sempre foi chamado, simplesmente de “Fox”.
A verdade é que a criação do Clube do Fox Paulistinha, em São Paulo, de algum modo, organizou a raça, e disseminou esse termo regional a muitas outras áreas do paÃs, incluindo também o exterior. Em 1964 a Federação Cinológica do Brasil, divulgou o padrão do Terrier Brasileiro, nesta época reconhecido como tal. Esta foi certamente uma maneira de criar uma referência nominal para a raça. Certamente estas diferentes maneiras de chamar nosso “brasileirinho” confundiram e confundem a opinião pública, fato este verbalizado por alguns árbitros e criadores europeus quando de suas vindas ao Brasil.
Enfim, o Terrier Brasileiro é chamado de “brasileiro” porque o povo do Brasil o adotou e chamou para si a sua paternidade. O que verdadeiramente importa é que o Brasil, através de seu amor declarado e assumido por este cão, o fez patrimônio nacional.
Alguns de nossos associados possuem fotos antigas onde seus antepassados posaram ao lado de um Terrier Brasileiro. É o caso de familiares do criador paulista Marcos Hotz, ou da criadora gaúcha Miriam do Nascimento Borba.
O caminho percorrido pelo Terrier Brasileiro até tornar-se reconhecido como raça pura permanece relativamente nebuloso. Cabe citar que no Rio Grande do Sul, por exemplo, os “fox” participavam de exposições de cães de raça pura, no Kennel Clube do Rio Grande do Sul, desde o inÃcio da segunda metade do século XX. São vários os registros fotográficos destes cães, principalmente no perÃodo compreendido entre os anos de 1951 e 1953.
Deste modo, nunca será demasiado citar que o nosso Terrier não é paulista, não é carioca, gaúcho, mineiro, ou baiano…Ele é brasileiro. Ele se chama TERRIER BRASILEIRO !!!